quarta-feira, 4 de maio de 2011

Utopia

    Sonhei, confuso, e o sono foi disperso,
    Mas, quando dispertei da confusão,
    Vi que esta vida aqui e este universo
    Não são mais claros do que os sonhos são.
    -- Fernando Pessoa

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Só um adendo

Entretantos...

Entre tantas as coisas que me sulgam diariamente está ela, a palavra que nunca pode ser dita
Sequer pronunciada, lacrimejada, desgarrada, desfarçada, nas entrelinhas, no espaço, no cerrar dos olhos e no descansar da cabeça no travesseiro...
Esta... "coisa"... vai consumindo e me guiando a um caminho desconhecido o qual eu tanto fugi de ir e agora corro para lá como uma criança amedrontada...
Tal conjuntura me costura os lábios e fincado à minha língua vai passeando de um lado ao outro sabendo-se preso, na angústia de um condenado perpétuo.
Me acorda a noite aos berros.
Tento encontrar conforto que me coloque os ossos no lugar, mas o conforto é passageiro.
Assim como tudo.
Tudo, menos... isso.

Eu peço qualquer coisa, qualquer delas que venha ao meu encontro que seja a hipnotizar minha memória, e me colocar em qualquer outro lugar, menos naquele.
Porque o lugar me persegue. Como se o lugar fosse eu e estivesse em mim.
Um lugar no tempo, no segundo de um dia.
Um segundo nunca durou tanto tempo...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Interna-mente


Antes estivesse eu sozinha num deserto em meio a gigantes dunas de areia, mas com uma leve e inconfundível orientação solar
Que presa a uma caixa, por mais bela que seja, com um furinho que me permita olhar a imensidão difícil de se conquistar, porém íntegra e real, não ilusória.
E a minha cabeça perturbada de vozes que me dizem o tempo todo o que fazer, pra que direção seguir, trezentas delas que por mais diferente que sejam me levam ao mesmo lugar.
Tais vozes que se confundem entre o que eu realmente penso e sinto, com o que querem que eu pense e sinta. E me invadem em sonhos, em subconsciente e de qualquer maneira invisível, inodoro, insípido, in...
Ah, antes estivesse eu sozinha.
Ou melhor, eu e Deus, num caminho certo no deserto, que incerto nos caminhos mais belos.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Silêncio


Até quando eu não procuro, eu busco
Essa tal coisa que me sufoca
E me prende de uma maneira tal
Que eu finjo sorrir
Com uma lágrima engasgada
De quem precisa partir
E o Adeus não sai...

quinta-feira, 3 de março de 2011

(In) Certo


Você está onde queria estar?
Seguindo para onde queria ir?
E ao lado das pessoas que você quer levar com você?

...

Mas alguma coisa ainda tem que mudar.
E vai.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Simples


- Então é disso que você gosta?
De amor impossível, de conflito, de bagunça?
- Exatamente. Com duas gotinhas de adoçante.



Daiana Geremias

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Buquê de presságios


De tudo, talvez, permaneça o que significa.
Os anéis largados ao lado da cama.
O alívio dos sonhos.
O gosto de azedume na boca.
A escrita na palma da mão.
Você de cabelo molhado saindo do banho
E o vapor deixado na janela ao léo.
De tudo, talvez, restem os chinelos atravessados no quarto
E as meias e CDs anônimos.
E aquela música linda que nunca toca no rádio.

Inspirado no poema de
Marcelo Montenegro.
"Buquê de presságios"