sexta-feira, 3 de junho de 2011

Revolta. Re, volta.


Regina foi embora e não deixou trapo de sua saia nem verbo do seu canto e foi pro canto.
Vira e mexe ela assopra no ouvido um sussurro de saudades...
E vive-se incansávelmente de forma mecânica, e o coração desprende do músculo e sai a se esvaziar dos sonhos, das vontades, dos desejos e anseios, das esperanças, das letras rabiscadas nos cadernos, dos lábios que não se tocam mais...
Cuspo desprazer, na ignorância do meu olhar. Choro minha culpa.
Ah, estou farta dessa briga de apelos, que pelos meios se questiona os fins.
Meu espírito o sabe, ignorante como é, o que sabe é pouco.
Mas ela vai por lá, a cantarolar seus desafios, disfarçando o medo atrás da porta do seu quarto, quando ninguém a vê.
Porque, entendo eu, quando lhe miram os olhos, seu próprio dom vira alvo.
Então ela dança, como dança sua língua no paladar de cada nota, para que não lhe atinjam com pedras nem flechas. Para que a perfeição venha a iludir a platéia, como se ilude uma música de amor e felicidade por trás de sentimentos não dignos de musicais.


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Lição de casa...


SENTIR MAIS

pensar menos


"De tanto eu te falar
Você subverteu
o que era um sentimento e assim
Fez dele razão pra se perder
No abismo que é pensar e sentir"
--
Los Hermanos

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Utopia

    Sonhei, confuso, e o sono foi disperso,
    Mas, quando dispertei da confusão,
    Vi que esta vida aqui e este universo
    Não são mais claros do que os sonhos são.
    -- Fernando Pessoa

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Só um adendo

Entretantos...

Entre tantas as coisas que me sulgam diariamente está ela, a palavra que nunca pode ser dita
Sequer pronunciada, lacrimejada, desgarrada, desfarçada, nas entrelinhas, no espaço, no cerrar dos olhos e no descansar da cabeça no travesseiro...
Esta... "coisa"... vai consumindo e me guiando a um caminho desconhecido o qual eu tanto fugi de ir e agora corro para lá como uma criança amedrontada...
Tal conjuntura me costura os lábios e fincado à minha língua vai passeando de um lado ao outro sabendo-se preso, na angústia de um condenado perpétuo.
Me acorda a noite aos berros.
Tento encontrar conforto que me coloque os ossos no lugar, mas o conforto é passageiro.
Assim como tudo.
Tudo, menos... isso.

Eu peço qualquer coisa, qualquer delas que venha ao meu encontro que seja a hipnotizar minha memória, e me colocar em qualquer outro lugar, menos naquele.
Porque o lugar me persegue. Como se o lugar fosse eu e estivesse em mim.
Um lugar no tempo, no segundo de um dia.
Um segundo nunca durou tanto tempo...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Interna-mente


Antes estivesse eu sozinha num deserto em meio a gigantes dunas de areia, mas com uma leve e inconfundível orientação solar
Que presa a uma caixa, por mais bela que seja, com um furinho que me permita olhar a imensidão difícil de se conquistar, porém íntegra e real, não ilusória.
E a minha cabeça perturbada de vozes que me dizem o tempo todo o que fazer, pra que direção seguir, trezentas delas que por mais diferente que sejam me levam ao mesmo lugar.
Tais vozes que se confundem entre o que eu realmente penso e sinto, com o que querem que eu pense e sinta. E me invadem em sonhos, em subconsciente e de qualquer maneira invisível, inodoro, insípido, in...
Ah, antes estivesse eu sozinha.
Ou melhor, eu e Deus, num caminho certo no deserto, que incerto nos caminhos mais belos.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Silêncio


Até quando eu não procuro, eu busco
Essa tal coisa que me sufoca
E me prende de uma maneira tal
Que eu finjo sorrir
Com uma lágrima engasgada
De quem precisa partir
E o Adeus não sai...