terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Simples


- Então é disso que você gosta?
De amor impossível, de conflito, de bagunça?
- Exatamente. Com duas gotinhas de adoçante.



Daiana Geremias

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Buquê de presságios


De tudo, talvez, permaneça o que significa.
Os anéis largados ao lado da cama.
O alívio dos sonhos.
O gosto de azedume na boca.
A escrita na palma da mão.
Você de cabelo molhado saindo do banho
E o vapor deixado na janela ao léo.
De tudo, talvez, restem os chinelos atravessados no quarto
E as meias e CDs anônimos.
E aquela música linda que nunca toca no rádio.

Inspirado no poema de
Marcelo Montenegro.
"Buquê de presságios"

sábado, 29 de janeiro de 2011

Aroma


Não precisou sequer um abraço
pra me prender em seus braços
e fazer de mim escrava sua

E ninguém me avisou
Ai de quem sabia e não contou

Mudei meu rumo
Ando perdida nos ares
Sobre os mares e as gotas da chuva
Que cai limpa para pintar o céu
E presentear os berços seus

Mudei minha escrita
E as palavras
E meu corpo mudou
E meu sorriso estreou
Noites de graça de humor

Mas quando sinto o cheiro seu
Grudado ao peito meu
E a todas as coisas que me rodeiam
Meu quarto, num piscar de olhos, vira você...

Vem deitar comigo
Vem sonhar comigo
O sonho que eu fiz pra você

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Domingo...


O que me preocupa
não são seus olhos cansados,
a sua voz encardida
ou sua falta de nexo...

O que me preocupa
é o coração escondido
no compasso do seu tempo
que não bate com o meu

Mas deixa a noite passar,
que uma hora o tempo vai
pra gente cansar e descansar
mais uma vez, distraídas
eu em você, perdida
amanhecendo, você em mim.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O vento

De repente nasce um moinho
Daqueles incontroláveis
Me doendo o grito arrancado da garganta
De quem vê a própria história sendo levada pelo vento
E fica no chão o caminho novo
A breve sensação de amnésia repentina
E um toque suave de angustia e saudades.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Despedida

Aquele olhar
Lá de longe
Me chamava...

Mal podia ver seu rosto
Mas a silhueta eu conhecia muito bem

Era ela
No alto da colina
Olhava-me como quem não quer partir
e eu sentia no peito uma pontada medonha.
Queria chorar, mas não havia nem sal nem água.
Minhas pegadas, porém
tinham as letras do nome dela
e eu as acarcava sobre o chão.
Assim ela poderia voltar.
Assim, talvez, ela poderia me encontrar.



Pra aprender...

Vou dar uma de recenseador, sem crachá nem nada. Vou passar de casa em casa perguntando o que a pessoa pensa que a vida é, como ela vai de amores, se ela escreve poemas, qual sua comida predileta...

Eu devia ter feito psicologia.
Agora, me pergunte por quê? Porque gosto de ajudar pessoas? Nem pensar!
A resposta é um pouco mais "exótica" que isso. É que eu sempre quis ser astronauta, mas sei que jamais conseguiria.
Eu gosto daquilo que se descobre, que não se entende, que é mistério.
E descobri que cada pessoa é, sem dúvida, um universo imenso a se explorar.
É deslumbrante!